No guichê da Air France, já impaciente  esperando que o sistema voltasse e eu conseguisse logo embarcar no meu vôo. Ao meu lado o escritor Paulo Coelho, e à nossa frente à robótica atendente da companhia aérea. Que nos olhava como se fossemos invisíveis. O dialogo que se segue já está traduzido para o Português a fim de facilitar o entendimento desta crônica literária. Inclusive os diálogos da garota francesa.

Depois de já reclamarmos e de nada adiantar, o Paulo Coelho vira –se para mim e comenta:

- oh fuck! Vou perder meu vôo!

- Eu que diga! Bendita hora pra esse sistema resolver cair!

- Oh! Você é brasileiro. Estou certo?

-  Certíssimo. Sou brasileiro.

-  Brincadeira heim, a gente vem de lá aqui e onde menos imagina um contratempo deses aí, espero que dê tempo de embarcarmos.

-   Estava a passeio ou trabalho?

-  Estive em Paris, passeando  e me interando da arte que é produzida aqui. Fiz praticamente um intercambio com cartunistas franceses.

-   E você? Ah eu vim para afinar meu espírito, e me preparar para escrever a minha próxima obra.

-    Você é escritor?

-Sim. Sou o Paulo Coelho.

-   Jurava que você não era de todo estranho, só não podia imaginar que era o Paulo coelho! Aqui na mesma fila. Muito prazer falar com você.

-   Que é isso, a honra é toda minha.

-   Você mora aqui na França né?

-    Moro sim. Mas não consigo ficar muito tempo longe do Brasil. Quando chego lá a primeira coisa é saborear um legítimo feijão preto.

-     Nem me fale estou morrendo de saudade do feijão lá de casa.

A conversa rolava enquanto o nosso vôo não era liberado.

-    Você já me falou o que você faz?

-   Não sei se já falei, mas eu sou cartunista.

-  Que bacana, eu sempre tive uma vontade de saber desenhar.

-  E eu de saber escrever!

- Nesta pasta aí tem desenhos seus?

-  Sim. Muitos.

-  Posso ver?

Passam se mais de quarenta e cinco minutos e nada do tal sistema voltar, até que a garota da companhia aérea se aproxima e nos avisa que o nosso vôo ira demorar mais uns trinta minutos.

Sem conseguir disfarçar a frustração, mas sendo o único meio de chegar até aqui só restava uma alternativa: Esperar.

Paulo Coelho já impaciente e mostrando claros sinais de irritação olha para mim e diz:

- Se eu soubesse desenhar eu faria um cartaz de protesto, com a cara mal humorada dessa senhorita,  a cara dela de ”não tô nem aí”.

-  E você acha que isso adiantaria algo? Pergunto.

- Isso eu não sei, mas pelo menos seria  uma maneira de manifestar o descontentamento coletivo.

-  Não sei não. Se eu fosse você eu faria uma coisa pra chamar mais atenção.

-  Se não um cartaz, o que você me sugere.

- Ah Paulo Coelho, faça chover em cima desse guichê.





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